quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A PREGADORA

Aconteceu naquele mesmo domingo que falei aqui pra vocês que fui la no barraco sweet barraco ajudar meu namorido a colocar as telhas. Lá estava eu e meu filhute naquele sol enchuvarado de domingo esperando o no ponto a sardinha amarela (leia-se aqui suplementar, microbus, cata-osso, circular bairro a bairro minimizado propositalmente para fazer o povo sofrido sofrer espremido mais ainda...bla bla bla) que vai no meu bairro passar, quando meu filho que brincava de carrinho deixou acidentalmente um deles cair bem debaixo da saia de uma senhora evangélica que aguardava sentada o onibus dela passar.
Meio sem graça e olhando para meu filho com aquele olhar de "olha o que você fez", pedi a ela licença para que meu filho pudesse pegar o carrinho dele debaixo do banco onde ela estava sentada e o papo entre nós duas iniciou-se dalí.

Enquanto aguardavamos cada uma seu bus, ela que se entitulou pregadora foi conversando comigo, sempre levando os assuntos pro lado da religião. Eu do meu lado, como sempre faço, mesmo embora não tenha religião e tão pouco fé nesse tipo de coisa fui escutando educadamente e procurando interagir sem desrespeitar sua condição religiosa e consequentemente mantendo minha opinião. O mais curioso porém ocorreu quando ela imaginando que eu fosse evangélica, provavelmente por conta do meu penteado de cabelo (quando uso ele preso, penteio tudo para traz o que associado ao meu semblante sério deve passar a impressão de evangélica para pessoas acostumadas a rotular os outros dessa forma) começou a "pregar" na conversa, se referindo a mim como alguém que entendia o que ela estava dizendo, já que na visão dela nós duas já éramos "salvas" por acreditarmos na bíblia, sermos adebtas aos preceitos do que ela chamava de fé incontestável, etc. O mais curioso é que até esse momento eu não havia deixado em nenhuma resposta esse tipo de dedução para ela (o que me fez entender que ela só podia estar tirando esse tipo de conclusão por conta apenas de um penteado) e mesmo sabendo que minha resposta não iria lhe agradar (já que esse tipo de pessoa não aceita nada que não seja a sua verdade como resposta) não exitei e mantive minha opinião, esclarecendo a aquela senhora que eu não tinha religião e muito menos fé em nada do que ela falava, mas que respeitava sua condição.
Fato é que, tão logo esclareci a ela minha condição, seu discurso mudou inversamente do vinho para vinagre fazendo ela fazer uma verdadeira pregação de conversão, como se apresentasse ali a sua frente um próprio demônio, e como eu não cedia a minha opinião sobre o que ela falava mas mantinha minha educação, ela que a essa altura se comportava como uma verdadeira possessa, passou a insinuar que minha condição só teria um destino e que como não acreditava na palavra de deus (mais precisamente na palavra da bíblia)queimaria de cabeça no inferno como o diabo queima seus dias por negar a Cristo.
Nesse momento, mesmo sob as gritarias dela mantive-me calma e até por conta da idade dela, tentei acabar com o assunto de forma diplomática, tentando apenas responder o que ela me falava sem ceder a raiva em que ela se encontrava simplismente por descobrir que conversava com alguém que mantém opinião diferente da dela.Foi quando eu entendi que na cabeça dessas pessoas infelizmente a divergencia entre nós agnósticos, ateus e outros tipo religiosos e eles sempre vão acontecer e existir por eles não conseguirem aceitar as diferenças como provenientes do mesmo Criador que tanto veneram.

Como não ví possibilidade alguma de continuar mantendo esse "diálogo" esquisito, onde só ela falava (gritava), e não se permitia ouvir coisa diferente do que "pregava" deixei claro para ela que não tinha religião e muito menos crença e que o fato dela ficar alí gritando ou exigindo isso de mim não mudaria minha opinião e tão logo ela ouviu isso começou a me praguejar oferecendo novamente o fogo do inferno como minha libertação (ou condenação na verdade)...literalmente a velha ficou louca e começou a pular sentada no ponto de onibus gritando cada vez mais alto " erguendo o livro que ela chamava de salvação para minha alma perdida e necessitada de arrependimento e como todos que agem assim, assutando as pessoas por querer converter no grito quem não aceitava o que ela falava. O povo ao redor olhava com cara de "a loka" para ela e alguns murmuravam dizendo que se fossem com eles já tinham despachado a velha. Com o ultimo praguejamento dela não rexisti e soltei uma piadinha dizendo "quando a senhora chegar lá não sei se vai ser eu que vou recebê-la porque acho que não vão me aceitar lá, mas como a senhora sempre indica, não vai ter problema com lugar reservado, fica tranquila". Logo que falei isso o bus chegou e nem tive tempo de ver ela ter um piripaque e o "show" acabou sem gran finale!

PRONTO, FALEI: A mulher agiu com discriminação, preconceito covarde, cegueira, puritanismo, falsa moral, total falta de amor com o próximo contradizendo tudo que ela lê e decora todos os dias para fazer o que chama de "rendenção" ou "conversão" e eu que na visão dela vou queimar de cabeça no inferno...

2 comentários:

  1. Nossaa...vc é paciente viu...e educada! Que povo sem noção,povinho mais ignorante...ninguém merece...
    Imagina se ela soubesse que vc curte Ozzy!kkkkkkkkkkk
    Bjos

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  2. kkkkkkkkkkkkkk
    Eu não agiria com essa educação toda, com certeza!!!
    Também sou roqueira, e nem por isso saio julgando as pessoas ou tentando fazer a cabeça delas pra curtirem AC/DC...
    Estou realmente cansada de preconceito e hipocrisia. Cansada de ver as pessoas apontado a "falha" do outro e ela mesmo cometendo as mesmas falhas. Fora ver as pessoas se acharem donas de toda sabedoria do mundo e por causa disso se acharem no direito de julgar.
    Por isso mesmo não curto essa época de Natal. Época da mediocridade, em que as pessoas querem pedir perdão de todos os erros que cometeu durante 365 dias, e no dia seguinte cometerem os mesmos erros...aff
    Está difícil achar pessoas simples, sinceras que dão real valor aos "valores" morais.

    bjs

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