terça-feira, 22 de novembro de 2011

Coicidencia triste e fatal

Essa semana por motivos de luto, não estou muito no clima de fazer postagens por aqui não. Meu namorido perdeu seu irmão neste final de semana e se não fosse o motivo da morte eu realmente não estaria aqui agora escrevendo, isto porque além de cunhado, ele (o irmão do meu namorido) embora já tomado pelo vício da bebida e totalmente isolado de todos, sempre teve seu lugar em nossas preocupações e cuidado, pois sempre foi uma pessoa de coração muito bom e eu em especial o considerava muito, pois foi meu primeiro contato com essa que hoje é também minha familia ainda na epoca de escola, além de ter sido na fase pre adolescencia minha paixonite da epoca de escola e primeiro beijo (isso bem antes de eu sequer imaginar a existencia do meu namorido e conviver com a familia, mais ou menos aos 11 anos de idade...então esqueçam o termo piriguete aí ok!).

Na manhã de sábado a familia o encontrou morto em sua propria cama e até o laudo do iml tudo que conseguiamos supor era que ele provavelmente havia falecido por alguma causa relacionada a dependencia alcoolica em que a muitos anos se encontrava, então, por mais que toda familia se encontrava em choque, já era vamos dizer um mal esperado, porém mesmo quando se espera a morte que alguém cava com as proprias mãos, a gente que convive com essa pessoa sempre espera e deseja que sua melhora venha antes de sua morte; infelizmente no caso do meu cunhado, isso não aconteceu. Porém, com a chegada do atestado de óbito, todos se surpreenderam com a causa: AVC HEMORRÁGICO.

Eu então, fiquei chocada pela coicidencia (não tem nem um mês que falei da importancia de identificar os sintomas e assim ter mais chances de salvar uma vida por aqui) mórbida de ter uma morte por avc na minha propria familia, e entender que nem sempre saber identificar os sintomas é crucial, as coicidencias e semelhanças com outros sintomas confundem facilmente a mente da gente e talvez este seja o motivo de tantas mortes estarem ocorrendo no Brasil por AVC.

No caso do meu cunhado, o fato dele estar constantemente embriagado (ele já não comia, mantinha sua higiene pessoal e só dormia por conta do excesso do alcool, estava numa fase onde as feridas já lhe tomavam conta do corpo e os delirios eram constantes...e antes que alguém questione, a familia fez tudo que pode, inclusive obrigou uma internação, que por ter ocorrido de forma obrigatória, não teve sucesso, pois como ele já era adulto, logo foi liberado, uma vez que eles não mantém ninguem internado contra vontade, então apartir daí foi uma sucessão de coisas como esconder qualquer dinheiro em casa, suplicar os comerciantes que não lhe vendesse nada alcoolico, deixá-lo sem as chaves de casa, para evitar que ele saísse entre outras coisas, tudo como podem supor, em vão, uma vez que vício é das desgraças da vida, a pior coisa, pois a pessoa sempre consegue um jeito de mantê-lo, e com ele não foi diferente) fez com que a familia confundisse os sintomas com sintomas de extrema embriaguez com delirios, pois como ele já não respondia bem as faculdades mentais, a familia já não dava muita atenção ao que ele falava embriagado (ninguém dá néh!), uma vez que bêbado, ele sempre reclamava de algo.

Na noite anterior, a dor de cabeça reclamada foi tratada como delírio de embriaguez e como de costume a familia com carinho e amor sugeriu que ele se deitasse e dormisse, lhe dando apenas analgésico, supondo que aquela dor de cabeça seria decorrente de embriaguez ou delírio, o que provavelmente não foi, já que dor de cabeça é um sintoma de principio de avc. No dia seguinte, a forma como foi encontrado, dava sinais de que havia sofrido uma provavel convulsão alcoolica, pois alem de outras coisas que eu prefiro não relatar, ele estava com bastante espuma na boca, o que nos faz deduzir que de repente ele poderia ter se sufocado com vômito (situação muito comum em dependentes alcoolicos) ou mesmo uma convulsão (o que segundo minha sogra, ele já tinha sofrido duas outras vezes).

Mas com o laudo do atestado de óbito, pude concluir que sintomas de avc muito facilmente em pessoas dependentes de alcool podem ser confundidos com embriaguez (segundo minha sogra, quando ele reclamou de dor de cabeça, a fala estava embolada e como isso era comum, nem se associou avc, até porque minha sogra já de muita idade jamais conseguiria supor isso e o restante da familia que o socorreu também não, pelos motivos já citados).
O que fica então é mais um alerta, principalmente para quem tem dependentes alcoolicos em casa (bebida alcoolica é um dos fatores que contribuiem muito para o aumento de mortes por avc), prestem atenção a dores de cabeça repentinas que mudam o comportamento do seu dependente (digo isso porque ao contrario da rotina normal dele, nesse dia tudo indica que realmente ele estava tendo um principio de avc, ja que mais cedo que o normal voltou pra casa e embora a fala desconecta, não se sentiu cheiro de bebida ou embriaguez, mas como ele já exalava um cheiro ruim, devido a falta de higiene e o corpo já exalava constantemente bebida, não conseguiram perceber que naquele dia na verdade ele nem havia bebido), fala desconecta (como se estivesse bebado), boca ou parte do rosto torta (no caso dele isso ficou imperceptível até o velório, que foi quando notamos que a boca estava um pouco torta) etc. É muito triste ver uma pessoa nova como ele (tinha apenas 35 anos) com toda vida pela frente, ter se entregado a bebida dessa forma e como num supetão, assustadoramente ir embora dessa forma tão brutal. As pessoas quando desesperadas e tristes atribuiem a morte um glamour que ela não tem, e a perseguem como um fã alucinado que só quer tocar no seu idolo e aí que está o desencanto, pois um leve toque que seja da morte, tira da gente o que mais temos de precioso...vida!

A nós da família que nos encontramos desolados e atônicos, só posso pedir ao cosmo conforto para alma e descanso para aquele que se foi. Descanse em paz amigo!


Um comentário:

  1. Nossa Nefasta, incrivel a forma como informou a situação.

    Meus sentimentos por sua perda.

    Tenho pai (80 anos) e irmão (45 anos) na mesma situação. Recentemente meu irmão tem tido convulsões. Minha mãe sempre fez de tudo por eles, mas eles não fazem nada por eles mesmos... Então o que fazer com dois adultos que não se ajudam?

    Eu já não moro mais com eles, e sinto por minha mãe sofrer tanto por eles... A época de Natal é a pior, que mexe emocionalmente com todos...

    Há mais ou menos dois meses um amigo morreu da mesma forma, porém no hospital...

    Infelizmente somos incapazes de fazer as pessoas enxergarem. Cada um é responsável pelo passo que dá...

    Forte abraço!

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