terça-feira, 3 de julho de 2012

O QUE EU QUERO SER QUANDO EU MORRER

As vezes me sinto perdida dentro de mim, são tantos caminhos que me perco no que eu quero seguir, acho até que na minha personalidade essa é a unica hora que lembro que sou libriana pois a indecisão do que fazer pesa para mim até hoje na dúvida."...Sou uma mulher de 33 anos que bem, me casei, tenho filho, estudei até o segundo grau mas ainda sem nada definido, carreira, negócio próprio,nada.Bem, nada também eu não diria, tenho sonhos e tenho planos de botar os meus sonhos em planos e fazê-los realidade algum dia, más são só sonhos, aliás os mesmos sonhos que eu tenho desde que ousei sonhar algum plano na vida...bom, também não são os mesmos sonhos, já dei uma mudada aqui, uma guinada de lá, um estica e puxa e pronto,um novo sonho. Não,não é um novo sonho, é um velho sonho repaginado...pra falar a verdade é o mesmo sonho só que sonhado cada hora de um jeito...tá, são vários sonhos, mas todos sonhados com jeito e apelo de forma que cada um seja um só ok. Ou são vários sonhos do mesmo? São os mesmos? - Acho que não, pois naquele primeiro eu queria e sonhava de um jeito, nesse agora eu já nem quero mais que seja assim ou assado, apenas que seja...enfim, será que estou querendo demais, eu me pergunto; afinal já são quase uma vida sonhando isso e aquilo e nada, nada acontece...não consigo me decidir..."

Essa é a minha cabeça de quinze anos atraz quando em meio ao teste vocacional mudei tantas vezes por não saber o que queria fazer que acabei dexistindo de tentar faculdade. Na verdade eu tentei, foram três anos seguidos, tentando e passando sempre na primeira etapa mas não indo na segunda porque de alguma forma aquilo alí não me chamava. Na época meus testes vocacionais sempre me guiavam para área das artes ou história e filosofia, mas eu queria fazer coisas que não podia pagar e o que podia tentar era o que me cabia. Eu sempre gostei de historia, filosofia, literatura, artes, mas sempre gostei de computador, tecnologia, comunicação, video games...ah, também super me identificava com moda customizada, costura, artesanato, trabalhos manuais e vez ou outra me via trabalhando em algo do tipo "primeiras mulheres a fazer isso" sacas, mas o que eu sempre amei foi música, escrever, ler, então me via numa casa de campo vivendo de escrever livros, praticamente um paulo coelho de saias rs e foi assim, foi indo, os anos passando e eu não definindo nada porque sempre amei essas coisas todas e não conseguiria optar. O novo mais novo me atrai e o velho nostalgico me seduz. Sou do meio sem ser neutra sabe, consigo opinar mas não consigo decidir certas coisas como por exemplo o melhor jeito de investir meu dinheiro sem achar que fiz de novo burrice e meu futuro enquanto profissional.

imagem meramente
ilustrativa
Se você me perguntar hoje o que eu faço da vida, qual a minha profissão,como outro dia enquanto aguardavamos o dentista me perguntaram, todos da roda de cadeiras já com profissões definidas onde um era funcionário público, o outro gerente de não sei o que, a outra fisioterapeuta, o outro aposentado que exercia oficio de vendedor de balas na porta da escola e duas donas de casa que viam no lar a profissão, eu vou te responder como respondi quem me perguntou: ah, bom, de carteira eu sou operadora de telemarketing a quase 20 anos, mas atualmente trabalho mesmo é com couro, tenho uma loja virtual sabe, vendo pela internet, mas ultimamente não tem me rendido muito então estou aproveitando o frio e fazendo trico, como estou em casa, afio em casa alicate de unha, mas também faço alguns eventos e vendo em porta de shows meus acessorios...não posso trabalhar fora no momento, mãe de pequeno então cuido dele, da casa e trabalho assim. Me olharam com cara de como arrumo tempo para tanto e respondi que o trico é nos momentos de novela que é o unico momento que sento, o couro como não tem rendido muito fico aguardando encomenda para trabalhar ou show, evento, sei lá, o trabalho de telemarketing já a dois anos larguei porque para mim ficou incompatível no momento por causa do filho pequeno e a falta de quem olhar e bom, o dinheiro cai assim, meio no conta gotas, mas é o que está dando agora (tipo net).

Quando falo isso lembro de quando era nova e sonhava que a essa altura da vida já estaria vivendo do meu próprio dinheiro, com casa própria e uma casa de campo como daqueles escritores de filmes que se sentam próximo da janela super larga e com vista pro lago para escrever seus best' sellers, mas também consigo me ver trabalhando com informática em algum local e ganhando bem ou com moda,nossa, amo fazer minha moda alternativa estilo heavy metal...a minha loja virtual ou minha loja física montada com predominância de roxo e preto (ou talvez vermelho sangue e preto...a cor não importa, apenas um lugar sombrio e totalmente cool para eu chamar de meu kk), um negócio próprio, inovador como os que aparecem no pequenas empresas, grandes negócios, qualquer coisa que me chame, me atraia, me faça mais um daqueles sortudos que trabalham com o que gostam e ainda ganham dinheiro $$ ;)

E aí com o piscar da tela do note eu caio em mim e lembro que aos 33 anos eu ainda não sou nada formado, apenas um embrião que corre uma hora prá cá, outra hora pra lá dentro do vasto nada que sonhei. Sem definição do que quero, eu aos 33 anos ainda quero tudo do que sonho mas não alcanço nada. Não sou costureira, não tenho uma grife ou lojinha de bairro sequer com coisas do meu estilo e com a minha cara, não sou uma daquelas nerds que chegaram ao vale do silício (o lugar mais longe que eu cheguei foi comprar e morar mais longe do que eu já morava), não sou uma escritora famosa, nem comentada, nem os ensaios de livros que eu escrevi eu publiquei, não sou nada, apenas alguém que levanta todo os dias, faz as mesmas coisas e fica feliz com a novidade alheira e quando chega o horario da novela porque na sua vida de sonhos vazios a única coisa que tem feito seu coração se animar além do cotidiano básico é o capítulo novo ou a continuação da novela das nove que desde que começou só pega fogo e ela mal consegue aguardar. Fim!

PRONTO FALEI: Antes que pensem que eu estou com depressão ou num dia ruim, de choro e vela, esse post é apenas uma divagação de alguém que chegou aos 33 anos e não consegue ter uma real expectativa de futuro profissional,mais nada...resumindo...momento crise existencial do pós trinta e dificuldade em aceitar que agora sou limitada a dona de casa kk.

4 comentários:

  1. Amiga.. Comentários que estavam aguardando moderação já estão publicados! bjokas!

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  2. mulher, como me identifiquei com essas suas divagações... os caminhos são diferentes, mas o destino tá sendo o mesmo.
    fui professora por 10 anos, estudei muito até terminar o mestrado, casei duas vezes, tenho um filho e uma cachorra...
    o fato é que tudo mudou... terminei o mestrado, mas desisti tanto da carreira acadêmica quanto da de professora... tá certo que teve/tem uma depressão no meio dessa história, mas a questão é: o que responder na hora em que me perguntam qual a minha profissão? posso dizer que sou professora de formação, que sou dona de casa, péssima, mas sou... posso dizer que sou escritora, publiquei um livro, mas não ganho nada com isso... agora incorporei o personagem de AGENTE CULTURAL, explico: sou presidente de uma Ong na área de cultura aqui da minha cidade, temos uma biblioteca comunitária e tudo mais... entretanto, sou quase uma laranja no meu cargo, quem faz quase tudo é meu marido, ando paradona nisso tbm.... affff, crise existencial pós-trinta é fogo, nos últimos dias me deu uma vontade danada de ser mais útil pro mundo, tô procurando em quê! :)
    boa sorte pra nós!

    xerossss

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  3. Olá! Tudo bem? Passei por aqui para te agradecer a gentileza,o teu comentário, lá no meu blog, sindrome de mim mesma.
    Então gostei demais do teu post,me identifiquei muito.
    Eu tenho 38 anos e nem sei pra onde eu vou,as vezes fico na maior angustia,mas fico pensando assim, tudo eu? Será que a vida não tem sua parcela no nosso caminho?A verdade é que quem pensa fora da caixa tem que aprender a se virar fora dela, eu corri de uma carreira normal (dizem que normal,aquelas com emprego garantido)e depois sem saber pra onde ir.Agora tento ver como resolvo isso,mas tento não me angustiar,porque a verdade é que tento me comparar as minhas avós, na minha idade elas estavam já condenadas a morrer na vida que levavam,enquanto a gente tem o mundo pela frente e nosso destino pode mudar a qualquer hora, não estamos presas como elas estiveram a convenções e o que os vizinhos vão dizer.Isso faz toda a diferença, o jogo ainda está rolando e tudo pode mudar a nosso favor,em qualquer minuto.Bj

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  4. Bom,o negócio é fazermos sociedade e abrir uma confeitaria... serão muitos sonhos recheados...rsrsrs...

    A vida é feita de sonhos. Se não os temos, perdemos a esperança e a vida perde o brilho.

    Tbm tenho mais de 30, e sou alguém procurando entender porque tenho que me encaixar perfeitamente no mundo imposto não sei por quem...

    Também tenho minhas meias histórias, que faltam encontrar o caminho pro final feliz, mas estou caminhando.

    Adorei o texto!
    bj!

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