sábado, 5 de maio de 2012

SEM PREPARO PARA O AFEGANISTÃO

Essas duas semanas eu dei uma sumida básica (até postei um vídeo do cão vigia essa semana, mas foi mais uma coisa pra não deixar o blog sem nada...mas eu achei o vídeo uma fofura e vocês?) porque aconteceram coisas que me abalaram profundamente, apesar de definitivamente não ter nada a ver comigo.

Em virtude de eu ainda estar muito abalada e sinceramente tentando esquecer tudo isso, não vou relatar nada do ocorrido agora (talvez mais a frente quando isso já não fizer mais nenhum efeito sobre mim, talvez e muito talvez eu consiga postar aqui de forma a não me causar o mal estar e o aperto no peito que ainda me causa eu conte a vocês, mas neste momento tudo que posso dizer é sem chance!). O fato é que o modo como isso mexeu profundamente comigo é que fiquei pensando num monte de coisas e começo a entender de forma mais significativa o que é paupável nesse tal de fim do mundo 2012, porque para mim sinceramente não há outra explicação.

Desse momento horroroso que tenho passado uma coisa pelo menos tirei de lição: não estou de forma alguma preparada para o caos e a guerra, os corpos mutilados, o sangue por todo lado de um afeganistão mundial. O que eu passei não foi um milésimo de um terço do que pessoas e populares desses lugares passam e tem de conviver e por sí só me abateu como um navio que afunda daqueles jogos navais, imagina ter de fazer disso rotina cotidiana (por isso que aqueles soldados são de mentes incuráveis quando retornam ou são afastados da guerra e cometem todos aqueles despautérios como urinar sob cadaveres etc...passar por traumas como estes que a gente só conhece de noticiário de t.v e programa policial de rádio é muito mais fácil e imaginavelmente compreendido quando a gente não passa, só ouve ou assiste...a realidade lhe tomada de assalto é de um estrago muito mais inconciente). E olha que eu só tive o impacto e o trauma da visão de quem assiste de repente jogos mortais por traz de um vidro de identificação criminal, participando indiretamente; imagina quem passou por isso de forma mais visceral.

Só sei que disso tudo me sobrou um trauma intratável, típico de quem passa a viver no no morro e tem o primeiro contato com a cena que só via nos filmes... escuta os tiros e se joga no chão temendo pela vida a cada descarrego do pente de tiros ou briga de gangues, vê o morto agonizando numa poçinha de sangue nas curvinhas das vielas e tampa os olhos dos filhos porque precisa seguir em frente e precisará voltar para alí por não ter outro lugar. O pensamento é de luta pra não ceder a vida fácil e desonesta que lhe daria de repente condições de viver melhor em outro lugar mais digno para os filhos e pensa alí naquele momento que o caminho reto que resolveu seguir só lhe guiou para aquele lugar, talvez se tivesse enricado as custas de uma vida de picaretagem e esperteza não estaria passando por isso... mas logo a sanidade lhe retorna a mente e ele segue na sua condição subhumana e suburbana até conseguir se desvenciliar, vencer todo o mal da pobreza financeira de espirito que o toma naquele momento e dos pesadelos que não lhe deixam mais dormir a noite e o fazem acordar febril e retoma seu curso, segue sempre em frente procurando evitar o máximo em olhar para traz.

Acho que o meu sentimento atual é exatamente este, o de alguém tentando conseguir forças para superar e que mesmo sozinha, sem apoio da família, com os amigos sumidos e o desamparo feito insiste em lutar e esquecer o que rolou comigo pois preciso seguir pelo caminho que escolhi e vencer para retomar minha felicidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comenta mas não inventa!